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Tirando a carta, parte 1

Postado por Guilherme Batista, em 09/01/2009

Por incrível que pareça, eu posso ser foda, mas não tenho CHN. Como a maioria dos meus amigos sabem, eu simplesmente me recusava a tirar a CHN pelo único motivo de eu não depender dos pais, logo, ser um paupérrimo independente.

Graças à isso, acaba que eu vivo sem dinheiro. Meu salário cai na conta e não dura nem... uma semana :D

Whatever, era pra eu ter uma CHN desde os 18, mas como eu fui muito teimoso e fiz questão de não aceitar ajuda parental, até por uma questão de princípios, me fodi e consegui o feito de chegar aos 20 sem uma CHN. Havia um segundo agravante bem mais grave: tempo. Embu não tem auto escola com um CFC que funcionasse aos fins de semana, já que a maldita cidade é interiorana (apesar de estar localizada na Grande São Paulo...) e ninguém lá gosta de trampar aos fins de semana, certo?

Pois bem. Dado isso, resolvi ir na auto escola em São Paulo (junto com a namorada. Álias, quase tudo que eu faço é feito com ela, o que me faz pensar que minha vida social se resume à ela. Caralho:|) pra resolver logo essa questão (e poder dirigir um carro legalmente. Até dava pra pegar um carro sem carta, mas isso geraria aporrinhação de todo mundo. Quando eu disse que iria pegar um carro pra treinar antes e não ter dores de cabeça na auto escola, faltou nego me crucificar (cruSSificar?) por tal afronta à lei brasileira. E eu nem ia dar a volta no quarteirão que moro com ele sem a maldita carta). Resolvida a questao da auto escola que me permitesse fazer aulas aos fins de semana, peguei meus documentos e minha bunda gorda, grande e suada nessa cidade calorenta infernal e fui pro Detran realizar o pré cadastro.



Ah, que aventura maravilhosa foi ter ido lá. PRa começo, me informar qual onibus passava ali perto, já que o site da SpTrans insistia em me dizer que eu tinha que descer a Brigadeiro, entrar na Ibirapuera e IR ANDANDO QUASE 300 METROS NUM SOL INFERNAL. Pra quem vive sedentário, isso seria uma afronta. E aquele bando de viadinhos que adoram correr pelo Ibirapuera se RECUSAVAM a olhar pra mim quando eu ia lhes perguntar algo.

Eu tava com uma camisa Luigi Bertolli, uma mochila Wilson, uma calça M.Officer e um tenis RBK, todos em excelente estado de conservação, de barba feita e com óculos. Nem de longe eu iria parecer um assaltante ou algum maluco que deveria ser evitado, mas ainda assim resolveram ignorar.

E já que foram "ignorantes" comigo, eu fui ignorante com eles. Tive que pegar um pelo braço e perguntar que maldito ônibus eu deveria tomar pra chegar na porra do Detran. (acreditem, eu REALMENTE falei assim com ele. Eu xingo até a minha mãe na frente dela quando fico nervoso, não vai ser um estranho que eu vou tratar hipocritamente bem).

De posse da informação, peguei o onibus e, ao perguntar gentilmente pro cobrador qual era o ponto do referido lugar, não obtive resposta. Tentei de novo, menos gentilmente dessa vez. Nada. Dei um leve soco naquela caixa que ele guarda o dinheiro, e o barulho de moedas fez ele notar que eu exisitia. Perguntei com bem menos gentileza e dessa vez eu fui atendido.

As pessoas precisam aprender a não ignorar um cara vestindo uma Bertolli com uma Wilson com 10 kgs. Gente assim costuma ser maluca o bastante pra pegar um cara pelo braço e fazer uma pergunta qualquer :). Ou dar uns catiripapos em algum objeto randomico até ser devidamente ouvido. Veja bem, eu tentei ser educado nas duas primeiras abordagens, e como não obtive resultados, parti pra ignorância e AÍ SIM a coisa funcionou.

Chegando ao bendito Detran, com os bagos caindo de tanto calor, fui perguntar aonde era o raio do andar de inscrição. Recebi uma cara mal humorada me apontando uma escada. Olhei de volta pro cara e perguntei: "é ali?"
Ok, foi uma pergunta estúpida.

O Detran parece uma escola embuense abandonada. Aquele lugar me trouxe boas lembranças da infância, em que puxámos os sutiãns das meninas até eles estourarem só pra elas andarem com os peitos trêfegos e soltos. E depois bolinarmos eles (6). Na hora eu senti uma vontade recaída de fazer isso novamente, mas fui impedido pela visão do inferno que estancava do meu lado. Uma senhora, dessas gordas gigantes com peitos maiores ainda que só não caem por um dos maiores mistérios da humanidade, estava ali. E eu não estava afim de bolinar uma criatura dessas, perigava de o peito dela vazar da minha mão.

Whatever, cheguei no bendito lugar e fui devidamente informado que deveria dar uma volta desnecessário. Tipo assim:
-Ei xará, é aqui o pré-cadastro?
-Sim, mas você vai ter que dar a volta, ver se tem fila e se não tiver, vem pra cá direto.
-Mas não tem fila aqui, posso passar direto?
-DÊ A PORRA DA VOLTA E VEM AQUI, CARALHO :@

Um outro exemplo de bondade e respeito foi quando um dos candidatos foi perguntar o que ele deveria colocar no campo "Nome do canditado a requerir a CHN". Eu ignorei pensando que, se fosse gente assim que consegue uma CHN, tava explicado a quantidade absurda de acidentes de trânsito que acontecem. Na hora que o tal me fez a pergunta, passou um delegado e disse, no tom de voz mais calmo que o Cap. Nascimento conseguiria:
-É PRA BOTAR A PORRA DO SEU NOME, SEU BABACA BOÇAL DE MERDA. TU NÃO SABE O QUE É UM NOME, QUER TIRAR A CHN POR QUE?

O melhor foi ouvir esse delegado reclamando
-PUTA QUE PARIU, ESSE PESSOAL ANALFABETO E BURRO NÃO CONSEGUE NEM ESCREVER O NOME NUMA LINHA PONTILHADA, QUE DIRÁ DIRIGIR UM CARRO DE MANEIRA DECENTE!


Adorei o lugar :D


Enfins, o pré-cadastro em si foi rápido. O mesário nem olhou na minha cara, só perguntou se eu morava com naquele endereço e pronto. Agora é só agendar o exame médico.

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