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Terra de salafrários malditos

Postado por Guilherme Batista, em 30/12/2008

Daí aqui estou eu, acordado, após ter rodado e andado feito um camelo sedento hoje quase que o dia inteiro, para ter a triste constatação: eu fui enganado. E roubado. E o que é pior, fui justamente quando eu começava a crer no "ariane life style", aquele de acreditar nas pessoas e tals. Afinal de contas, ela foi criada no interior, com família do interior. É normal pra ela

Para mim, esse estilo de vida sempre se mostrou incompatível. Tinha isso na escola, apanhei e fui zoado feito um cachorro sem dono; então resolvi distribuir cadeiradas e socos na garganta, além de umas dez ou vinte tentativas de arrancar as laringes alheias no primeiro sinal de desocnfiança. Então, devido à eterna zoação, acabei me tornando um dos seres mais paranóicos que essa dimensão pode ter. É uma paranóia extremamente controlada, do tipo que me permite soltar informações apenas sobre o que eu quero apenas. Claro que volta e meia dou um escorregão, acabo falando algo que não devo e que vai ser usado contra mim futuramente, mas no geral, eu sou muito, muuito seletivo no que vou falar. Isso vale para qualquer serumano, desde meus progenitores até a namorada.


Afinal, se esse povo soubesse tudo que já fiz na vida, teriam extrema raiva da minha pessoa :P


Whatever. Quando minha paranóia sadia deu uma baixada, eu e a namorada caímos num golpe que, por deus, eu fui muito burro de ter deixado passar barato. A letra do cheque, a cara do cidadão, o contato direto sem desconfiança... tudo, tudo, tudo inegavelmente me mostrou que eu deveria desconfiar daquilo, mas eu simplesmente preferi ignorar aquela "coceirinha" que me dizia: "ISSO VAI DAR MERDA, CARALHO!".

Explico: recentemente, eu tava na gana de vender meu l550i. Não só porque eu tava precisando de grana, mas porque eu já estava com um celular 3G, que no momento me seria mais útil que um GSM quadriband equipado com a inútil e imbecila rede da Claro. Então, procurando eu um meio de vender esse celular ao preço justo dele [uns 300 paus. A porra do celular é um dos melhores que já vi na minha vida, se tivesse um acelerometro e fosse 3g, ia tá perfeito], e vendo que o bando de pobres isentos que cercam a minha vida preferem ter um celular básico a um "quase-pda", resolvi vende-lo na interweb. Devidamente convencido também pela namroada, fomos nós anunciarmos no Arremate.com. O anúncio vocês podem ver aqui. No mesmo dia que o anunciamos, recebemos uma ligação de um comprador mui interessado, cuja história era a de que a sua filha tinha visto e pedido ao "papaizinho" ver se a bagaça realmente existia. Uma vez que nós alegremente dissemos "sim", ele resolver fechar negócio na hora.

Eis aí meu primeiro engano. Qualquer um que compre coisas pela internerd, via mercado excuso, não pergunta simplesmente "ele existe mesmo?". Pergunta mais coisas. Pede desconto. Questiona sobre os defeitos do produto, etc,etc,etc. Principalmente um cara da posição que teoricamente esse cidadão dizia ser.

Wells, fomos nós nos arrumarmos na pressa de ir vender logo a bagaça e torrar a grana que iria cair em mãos, já que o cidadão ficou muito interessado na "entrega em mãos". Disse que ia mandar o "caseiro" dele. E mais um engano foi notado aí: que filho da puta era esse que iria mandar um caseiro, CASEIRO, pra porra da zona norte? Estamos em SÃO PAULO, porra, não tem fazendas nem nada que permita um "caseiro". Meu instinto desconfiado já dava pulos ululantes na minha frente, e eu resolvi que esse instinto tava sendo uma criança mimada louca por atenção. E o que fazemos com crianças assim? Damos umas boas palmadas na bunda que ela aquieta o facho Ignoramos.

Lá chegando, me vem um motoboy [wtf, não era um caseiro? Paranóia subindo a níveis altos], nos entrega um envelope branco com um cartão de visitas, assinado por "Jayme Tadeu, diretor institucional da Pirelli" [UATARREL, SE ESSE CARA É DIRETOR DE UMA EMPRESA DESSE PORTE ELE NUNCA IA DAR 300 PILAS NUM CELULAR, PARANÓIA AVISA, VAI DAR MERDA, VAI DAR MERDA, MEOUVECARALHOISSOVAIDARMERDA!!!!111] e ainda diz que estava com os olhos ardendo. E a gente, cheio de boa vontade, pegamos um soro fisiológico e emprestamos pro cara.

Eu deveria ter dado ácido pro filho da puta pingar no olho.

Bom, nos despedimos e ele me pareceu sair com muita pressa. A paranóia já gritava "VAI ATRÁS E MANDA O CARA ENTREGAR DINHEIRO!!!", mas eu continuei me fazendo de surdo. Abrimos o envelope e... um cheque. Sem cruzar.

A nóia aqui já tava passando do normal. Olhei MUITO desconfiado praquilo, por dois motivos: a)a letra escrevendo o valor em números e o por extenso eram completamente diferente da assinatura; b)o cheque não estava cruzado e c)nenhum, absolutamente nenhum ser humano que chegue a um posto alto de comando numa empresa tem uma letra de fôrma, parecida com a de uma criança de seis anos em fase de alfabetização.

Comentei esse último fato com a namorada, ao que ela disse: "E daí? Meu pai só fez até a oitava série...". E antes que vocês me perguntem, ele foi um diretor nacional de vendas da Toshiba, ou algum título assim, não me lembro direito. Não cheguei a conhecer ele, é uma longa história. Voltando, deixei de lado a paranóia e voltamos pra casa.


Isso foi no sábado, dia 27/12. Mas, quanto mais eu olhava pra esse maldito cheque, mais eu pensava: "tem coisa errada aí".

Ontem, segunda feira, eu fui tentar sacar o cheque - não tava cruzado mesmo - e eis que, num turbilhão de fatos sequenciais, descubro que o cheque era roubado, que o tal diretor institucional não existia porra nenhuma e que absolutamente todos os meios de contato foram simplemesmente varridos do mapa.

AAAAaaaaacho que alguém foi engaaaanado-do-do-do.

Puto da vida e querendo o fígado de um, saí ligando pra geral. Com a ajuda de amigos, consegui descobrir aonde fizeram o usuário [numa lan house na favela de paraisópolis] e aonde o cara que nos ligava tinha conseguido o número de telefone dele [na loja da claro do shopping "d". Linha pré paga]. O celular foi comprado com documentos falsos [porra claro, vocês deveriam ter uma política útil de validação dos documentos...] e o dono real do celular é um velhinho da zona norte.

Ou seja, tomei no cu grandão.


Hoje de tarde eu irei no DEIC. Esses caras são bons para pegar fraudários da internet, e eu espero, acredito muito, que eles peguem o f.d.p., sei lá, via digitais. Teoricuamente tem 3 digitais nesse cheque: minha, do caixa do banco [cujo nome é bem diferente do tal "jayme"] e do salafrário que preencheu esse cheque.

Depois eu posto fotos, mas por favor, me desejem sorte. E se quiserem mandar algumas doses de calmantes, eu agradeço. Porque vou ficar sem fechar o olho pelos próximos dias, até resolver isso.

Um comentário:

Anônimo disse...

Oi eu tbm vendi um pra esse mesmo "caseiro". TO muito puta da vida, caralho que raiva.... você que escreveu esse e-mail pode entrar em contato comigo.

vi_pereira@ig.com.br

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