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Postado por Guilherme Batista, em 25/07/2008

Não importa o quanto você se bem relacione com todo mundo, ou o que você faça. As pessoas sempre falham com você.

-Mano, tá sem ônibus aqui, me dá uma carona até o lugar x <- meia hora esperando
-Ah, minha mãe vai ficar nervosa.. espera mais 15 minutos.

Eu imagino que deve ser meu cheiro, ou meu cabelo de preto. Ou talvez seja porque eu simplesmente mando se foder e passo eu mesmo a resolver o problema.


-Cara, to preso aqui, sem condição de sair agora e dependo de ônibus. Tem como mandar alguém daí de casa para me buscar aqui? <- uma hora no ponto de ônibus.
-Não, ué, ninguém mandou você ficar na gandaia por aí.
-Porra, eu tava trampando!
-Ah-ham. Terá busão aí às duas.
-Meu, ainda é meia noite!
-Só esperar ué
-Ah, quer saber? Vá tomar no olho do seu cu, caralho.


Eu nem cogitaria o quesito "carona" em nenhum dos casos, exceto se os envolvidos não fossem muito próximos. Ao menos eu pensava que eram, o que me faz pensar seriamente que não se pode confiar em filho da puta nenhum.

Ao menos o que não seja aquele que aparece no seu espelho, e olhe lá.

Bom, se eu ainda fosse o garotinho estúpido e impulsivo de antigamente, já teria comprado um carro e resolvido essa maldita questão, mas dado que de uns tempos para cá eu quero resolver as coisas de maneira legal, me sinto teoricamente impossibilitato. Maldita hora para adquirir consiência, a vida era mais fácil e prática sem ela.
Pelo menos fico impossibilitado até a hora que meu saco encher e eu resolver dirigir por aí sem carta.

O pior de tudo é você ter como filosofia de vida nunca jogar nada do que fez para as pessoas na cara delas. Ao meu ver, todos tem o bom senso de saber quando são ajudados, e o mesmo bom senso diz que devem retribuir a ajuda. O problema é que isso é utópico demais.
Todo mundo adora jogar na cara o que faz para você. É impressionante até.

-Nossa, você me atacou sem motivo e eu faço tanta coisa para você...
-Isso, quando você precisou de óculos fui eu quem foi lá pagar.
-Vá se foder, quando vc quebrou a mão, era eu quem te ajudou.

O nível da discussão é impressionante. Eu poderia perfeitamente usar diversos argumentos:
-Se lembra quando você ficou sem emprego e eu ajudei com a grana da passagem? Então trate de me ajudar agora.
-Você ainda gosta daquele colar que eu te dei? Pois pare de gostar, me devolve aquela merda que eu vou revender ela.
-Quando você tava precisando de nota na faculdade eu não dei desculpas pra ajudar, né?
-Sabe aqueles 300 reais que você tá me devendo? Então, ou você vem me pegar ou eu destruo vários itens seus até o valor deles juntos chegar nessa quantia.
-Po, sua cadeira de rodas foi bem útil quando você deslocou o fêmur, certo? Me levar até o maldito ponto x também vai.



Não sei do que eu me orgulho mais: o de ajudar as pessoas [e me foder com isso], ou deixar de jogar na cara delas a ajuda que dei [e continuar me fodendo]. Acho que o motivo maior de orgulho deve ser meu sado-masoquismo. Eu adoro me foder, só pode.

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